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Biografia

O meu começo na música não foi cedo. Prá quem quiser ler esta história sem resumo aqui vai: o meu pai adorava ouvir música e, certamente, este foi o meu momento-chave prá descobrir o poder que as notas têm sobre a nossa alma. Acho que pouquíssimas coisas deste planeta conseguem manipular o nosso humor, mudar a nossa visão sobre a vida, vitaminar idéias e até ser uma fonte poderosa de relaxamento e  prazer ao ouvir música ... eu me sentia muito bem...

Na realidade, o primeiro gosto foi batucar em tudo que encontrava pela frente; importante citar que o batuque podia ser um ritmo brasuca ou imitar um groove de batera. O importante era extravasar o lance percussivo prá cima de algum móvel de casa. O primeiro instrumento que comecei a estudar foi violão mas durou pouco tempo, pois, todo aquele sentimento percussivo levou  minha mãe a me levar numa escola perto de casa prá ter aulas de bateria. Aí sim, a escola normal foi literalmente pro saco... Junto com a batera... pessoal !... Qual foi a opção que vocês acham que os meus pais fizeram? A escola, graças a Deus! Neste texto eu gostaria de dizer aos estudantes de musica que têm o objetivo de se profissionalizar, que não é nada bom você ser um bom músico e não saber fazer uma conta, não saber falar polidamente.
- Não entre nessa!

A falta da música me deixou rebelde, bem rebelde. Com o tempo,  ainda moleque, entrei para grupos de amigos que faziam muita coisa errada e depois de ”tomar na cabeça" novamente, ví e senti, que estudar era o que  faria a diferença. Então depois de concluir o 2º grau, uma objetivo despencou na minha cabeça: estudar guitarra intensamente.

Ainda morando com minha família, talvez com uns 15 anos de idade recomecei na música tocando de ouvido, buscando uma forma de segurar legal a palheta... Pegando uns acordes com amigos que já tocavam... Mas, por causa da lembrança do meu comportamento no passado e a minha opção profissional, minha mãe não aceitou. Para ter certeza que eu queria mesmo optar pela música, ela me deu um ultimato: - Se você quer mesmo, saia de casa e vá a luta!

Saí de casa e fui morar com a família de um amigo meu que era baterista da banda que eu tocava. Esta banda se chamava Odisséia, por falar em Odisséia, a coisa foi mais ou menos assim: Antes de sair de casa eu tinha juntado uma graninha na poupança e comprei uma Gianinni SG, um amplificador, e dois pedais; para buscar algum ganho combinei com o meu amigão Dimas (o baterista) que seria interessante tocar onde fosse possível pois queríamos fazer o nome da banda crescer, então, num dos locais que tocaríamos tomamos um "chapéu de honra", roubaram todos os equipamentos de todos os membros da banda.

A minha certeza com relação a música era cada vez maior, porque como a única forma de seguir com a musica foi fora de casa, então  fui trabalhar com um primo, experiência ruim, e depois com um amigo da família, outra experiência que me colocava mais longe do meu principal objetivo. A coisa mais legal que me aconteceu nesta última empresa foi conhecer uma garota que se chama Yoko; namoramos e ela sentindo o quanto eu queria ser músico, tomou uma atitude: Depois de um almoço, num sábado, ela pegou uma lista telefônica, virou as páginas dos conservatórios, fechou os olhos e deixou o dedo cair em cima de uma prá ver no que dava. Ok, lá estava: Conservatório Musical Souza Lima e lá fomos nós! Eu trabalhava na empresa de uma amigo da família de 2ª a 6ª feira e no sábado de manhã ia ter aula de guitarra no Souza Lima, aliás, eu ia de manhã e ficava enchendo o saco deles até a escola fechar.

No Souza Lima eu conheci o cara que me fez acreditar na profissionalização da guitarra, o nome dele é Ney Marques. Este cara hoje é uma referencia importante para  nossa música através do bandolim e do violão; esse cara, realmente, me fez estudar muito na época e, aí veio uma verdadeira benção: eu estava com dificuldades para pagar o Souza Lima porque naquela época eu trabalhava na garagem da Antarctica em Pinheiros e a coisa do salário mínimo era insuficiente prá me sustentar e pagar os meus estudos de musica... Qual foi a benção? O dono do Souza Lima - o professor Antonio Mario - literalmente rasgou a minha matrícula e um documento que continha alguns débitos e propôs que se trabalhasse prá ele, certamente, ganharia o triplo do que estava ganhando na Antarctica e ainda pagaria os meus estudos com o Ney. Grande Mario!!!

Bom, daí prá frente foi só alegria, prá falar a verdade o Ney já era uma grande fera, na época ele foi convidado prá tocar com o Ney Matogrosso. A loucura dele foi recomendar ao professor Antonio Mario que eu  o substituísse, só que assim foi... Substitui o Ney no Souza Lima como professor e o substitui também numa banda maravilhosa que ele tocava, essa banda que se chamava Urubu Bacana - misturava o Rock, o Funk e o Pop de uma maneira realmente genial... Me lembro de que era difícil tocar com essa galera (O Nelsinho e o Carlinhos também eram professores do Souza Lima). Bom, eu tinha que resolver um outro problema naquela época: eu precisava continuar os meus estudos de guitarra e o Ney ficou ocupado demais. Na banda Urubu Bacana tinha uma fera que cantava muito bem, tocava Flauta, Saxofone e Percussão prá caramba e sentiu a minha necessidade em continuar evoluindo. O nome dele é Bebeto, numa tarde ele me perguntou: Joe, você já ouviu falar num cara que se chama Mozart Mello? Ok, agora não preciso nem dizer... resolvi um problema que era evoluir e arrumei outro, nas aulas do Mozart, quando eu via a luz no fim do túnel era um trem... Acabei ficando amigo do Mozart, esse cara foi e é um pai prá mim, ou melhor, prá milhares... Só que este quadro não sossegou pessoal! Um dia o Mozart me perguntou: "Joe você já ouviu o Faiska tocar?" ... Chorei... Na época literalmente, chorei.

Nesta fase a banda Urubu Bacana foi para um estilo mais comercial (New Wave) e a coisa não deu muito certo comigo então através de um anúncio no jornal fui para o Proteus, e nessa banda eu me sentia em casa, pois, o que eu mais gostava na época era "Hard Rock", que tinha, distorção, pegada, bends e ingredientes "funkeados" nos riffs, ou melhor, no estilo dos guitarristas Van Halen, Geroge Lynch, Warren deMartini, Nuno Bettencourt, Vito Bratta... Por aí...

O Proteus tocou muito por aí, chegamos a ter uma reunião com o maior empresário de artistas na época, mas sentimos que o ambiente era muito difícil para o rock, blues e metal em geral aqui no Brasil. Acho que nesta reunião a minha rebeldia voltou; o empresário disse que queria um som igual a algumas bandas que tocavam nas FM, porque elas eram "mais comerciais". Eu perguntei: se juntar todas estas bandas que você citou certamente a grana não chega a 1/100 de um Whitesnake, nénão? Logicamente a reunião acabou por aí e eu segui o estilo que eu acreditava e descobri um grande patrimônio do musico neste momento pessoal: a identidade musical.

A novidade é que a minha identidade estava pedindo mais e o Mozart me fez entrar de cabeça em harmonia, de forma pesada. Esse lance foi a melhor coisa para a minha profissionalização musical; este é o caminho que sigo até hoje... Gostaria de dizer a todos os estudantes: "A musica é MUITO maior do que a guitarra e certamente muitos ídolos pensam assim".

Em meados de 1990 fui trabalhar pela primeira vez na Expomusic que era na Bienal dentro do parque do Ibirapuera, eu estava lá representando a empresa "Oliver Instrumentos Musicais" que fabricava pedais para guitarra. A coisa mais legal desta época foi ver que para se fazer workshops (uma boa fonte de renda naquele tempo) era necessário estudar, muito, e isso era ótimo.

Não me lembro do ano, mais com certeza, um workshop inesquecível para toda a minha vida aconteceu na EM&T. Lá foi o primeiro lugar que senti como estudar poderia ajudar na grana e no respeito profissional. Quando cheguei para o meu primeiro workshop na EM&T tive que seguir um ritual que era esperar no camarim e ouvir aquela super vinheta do "EM&T apresenta..." onde o Wander Taffo gravou a guitarra e o próprio me apresentou da seguinte maneira: - "Oi pessoal, estamos honrados em receber aqui um professor do Conservatório Musical Souza Lima, o Joe Moghrabi, galera, Joe Moghrabi!" O carinho com que aquele auditório me recebeu, me fez decidir o seguinte:

1º) Vou "enrrugá o sinteco" deste lugar.

2º) Eu preciso dar aula aqui...

E é assim... Tô lá até hoje continuando este texto kkkkkkkk...

A gente se vê lá na EM&T,

Até já!!!

 

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